segunda-feira, 12 de abril de 2010

Prédio e Museu nas facetas históricas.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE - UFS
CENTRO DE CIENCIAS EXATAS E HUMANAS - CCEH
DICIPLINA: TEMAS DA HISTÓRIA DE SERGIPE I
PROFESSOR: ANTÔNIO LINDVALDO SOUSA
ALUNAS (OS): MARA FERREIRA DE ARAÚJO PEDRO
DANIELLE DA LUZ SANTOS
ADRIANA MENDONÇA CUNHA
LAIS DOS SANTOS NASCIMENTO
GILMAR CASTILHO DE LIMA


PRÉDIO E MUSEU NAS FACETAS HISTÓRICAS



O sobrado foi construído em meados do século XVIII, em barro, pedra e cal, seu estilo neoclássico provavelmente foi impingido a posteriori. No contexto de um Brasil colonial a economia canavieira galgara pico de produção e o mercado exterior, favorecendo o embelezamento de conventos e igrejas da região. Boa parte dos sobrados existentes no centro histórico de São Cristóvão, sede da então Capitania de Sergipe d’El Rey, serviam para atividades administrativas e/ou veraneio dos ricos senhores de engenho da zona do Vaza Barris. Mas esse não era o caso do proprietário do sobrado localizado a praça São Francisco de São Cristóvão, o tenente Domingos Rodrigues Vieira de Melo, um militar.
A Emancipação Política de Sergipe da Bahia, em 1820, ocasionou a crescente necessidade de compra e disponibilidade de prédios para administração. Disso resultou a compra do sobrado ao militar no ano de 1823. Incorporado aos próprios nacionais o prédio foi reedificado e inaugurado em 12 de outubro de 1825, na gestão do Presidente (Governador) Manuel Clemente Cavalcante de Albuquerque, como parte das comemorações das Festas Nacionais em homenagem ao aniversário de Sua Majestade D. Pedro I e à Fundação do Império.
Com acentuada tendência liberal, Manuel Clemente governou durante 20 meses, impingindo medidas inovadoras e alheio aos embates políticos locais. Sua morte repentina, no dia 2 de novembro de 1826, consternou a todos. A suspeita é que foi intoxicado com produtos químicos usados na reforma do palácio. Como ele havia manifestado o desejo de ser enterrado “numa das igrejas da cidade”, foi inumado no chão do Convento São Francisco.
Em 1855, o Palácio do Governo foi avaliado, com certo exagero, em 50:000$000 (cinqüenta contos de réis), num momento em que os opositores a Mudança da Capital de São Cristóvão para Aracaju listava o prejuízo aos cofres públicos com o ato de Inácio Joaquim Barbosa, então Presidente da Província.
Em viagem pelo nordeste, o imperador D. Pedro II conheceu Sergipe entre os dias 4 e 19 de janeiro de 1860, na companhia da imperatriz Tereza Cristina. O monarca visitou a ex-capital nos dias 17 e 18, sendo homenageado no prédio que servia de Câmara Municipal de Vereadores. Nele armou-se capela e sala de despachos, teve beija-mão e dossel para o ilustre monarca.
O Estado comprou o imóvel que pertencia a Fazenda Federal por 2:000$000 (dois contos de réis), conforme escritura de compra e venda de 19 de março de 1918. Nas décadas de 1920 e 1930 funcionou como delegacia. Em janeiro de 1940, durante gestão do prefeito Antônio Silvio Bastos, o antigo Palácio Provincial foi reformado para instalação de escola. O Sindicato de Operários de São Cristóvão instalou nele a sede, com salão de jogos e de baile, por volta de 1952. Até que em 1960, no dia 5 de março foi inaugurado o Museu Histórico de Sergipe, no Governo de Luis Garcia.
O Museu Histórico de Sergipe está localizado na Praça São Francisco, candidata ao título de Patrimônio da Humanidade junto a UNESCO. Sua beleza arquitetônica e glorioso passado constitui um endosso ao pleito internacional.