quarta-feira, 14 de julho de 2010

Índios, natureza e colonização, o caso de Sergipe.


Por: Gilmar Castilho de Lima

A quantidade de índios em Sergipe no período do seu “descobrimento” é gigantesca, desde os Tupinambá, localizados em regiões próximas ao litoral, mais essa localização litorânea não é somente sergipana, na verdade os Tupinambá, estavam praticamente em toda a costa brasileira, e os Kiriri mais ao Sul de Sergipe, os Boimé, Kaxagó, Katu, Xocó, Romari, Aramuru e Karapotó ao Norte de Sergipe próximo ao Rio São Francisco. Na verdade os indígenas estavam sempre localizados próximos a rios, riachos, pois estes locais garantiam a pesca, e o peixe sempre foi um dos principais alimentos dos índios sergipanos. A relação dos índios sergipanos, com a natureza, pode ser denominada por um título atual, mais que contextualiza o período de antes dos colonizadores, que é o manejo sustentável.
Porque se falar antes do colonizador? Na verdade com a chegada do homem do “velho mundo”, especificamente o português, que vem imerso de seus valores culturais, tradições, com o seu “modo de ser”, e que influenciará, ou forçará com o passar do tempo a perca indígena dos seus valores culturais e a sua relação com a natureza.
Mesmo com tantas tribos, de culturas diferentes, línguas diferentes, localizações geográficas diferentes, o que não mudava era o respeito pela natureza que todos tinham. Afinal é dela que eles dependiam para viver: onde caçavam, pescavam, coletavam frutos e raízes. Porém com a chegada dos jesuítas em 1975, ao território sergipano, é que essa relação com a natureza será quebrada paulatinamente, sendo inserido, não de forma generalizante, o “senso utilitário” da natureza, aplicando a sua cultura, visto por outros como porta voz da “civilização”, mais que olhando com os olhos da atualidade e de forma critica eles estavam eram desconstruindo os valores que os gentios tinham com a fauna e a flora.
“... os primeiros jesuítas captaram a natureza na relação direta da necessidade que a existência terrena o exigia. Um mundo natural, onde tudo era útil, onde tudo poderia ser convertido, em prol da necessidade humana...” (Apud. Assunção, 2000, pág. 263-264).
Essa ruptura com os valores índio-natureza foi reforçada ou diminuída, com a “guerra justa” de 23de novembro de 1989 e 1de janeiro de 1990, onde as tropas de Cristóvão de Barros invadem o território sergipano, e começa-se ai a investida sobre os índios, onde saem vitoriosos mesmo em menor número, mais por terem ao seu favor armas potentes, o que facilitava a vitória. Muitos desses indígenas, morrem, fogem ou são escravizados, para servirem de mão-de-obra, ao novo personagem que tomará posse das terras antes indígenas, o colono, onde podemos citar, por exemplo, o grande “curraleiro” Garcia d’Ávila.
Essa relação com a natureza era variadissima, desde os rituais em agradecimento a chuva, ao sol, a colheita etc. até com a alimentação, a guerra. Inclusive alguns desses valores, permanecem no nosso cotidiano, como podemos citar o “beiju de tapioca” muito saboreado nos dias atuais nas mesas das mais variadas classes sociais, o jenipapo que em tupi-guarani, significa "fruta que mancha ou de fazer tintura, fruta que serve para pintar", fruta utilizada até hoje na produção de sucos, doces, e que também serviam aos indígenas como tintura para escurecer a pela e irem à guerra, entre outros usos. E essa idéia de se pintar antes de combates ainda pode ser visto nos dias de hoje, sendo citado o exemplo do Exército brasileiro, que pinta o rosto antes de um combate, e também em treinamentos nas florestas, não é mais uma pintura feita pelo jenipapo, mais que rememora muito bem esses valores dos rituais indígenas de guerra, impregnados quase de maneira invisível na atualidade.

Bibliografia:
DANTAS, Beatriz Góis. Os Índios em Sergipe. Textos para a história de Sergipe. Aracaju. 1991.
Souza, Antônio Lindvaldo. Índios em Sergipe
Souza, Antônio Lindvaldo. O português (criador de gado) e a colonização de Sergipe.
A carta de Toloza.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjp9PH33mnCd0WM-Zc1BPCFNZCyiXXt3OwXodwJyctR9uhGHpOgN6I4Y5VBi-4WxXpPp4nCWVk95M6Yrd7ww7UjnT1_L5XZMgrxxO2klY1uLbzi8wGCLUC4GcbbajhyHj4coYEWhWeVjZM/s400/JESUITA+jpg.jpg

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Prédio e Museu nas facetas históricas.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE - UFS
CENTRO DE CIENCIAS EXATAS E HUMANAS - CCEH
DICIPLINA: TEMAS DA HISTÓRIA DE SERGIPE I
PROFESSOR: ANTÔNIO LINDVALDO SOUSA
ALUNAS (OS): MARA FERREIRA DE ARAÚJO PEDRO
DANIELLE DA LUZ SANTOS
ADRIANA MENDONÇA CUNHA
LAIS DOS SANTOS NASCIMENTO
GILMAR CASTILHO DE LIMA


PRÉDIO E MUSEU NAS FACETAS HISTÓRICAS



O sobrado foi construído em meados do século XVIII, em barro, pedra e cal, seu estilo neoclássico provavelmente foi impingido a posteriori. No contexto de um Brasil colonial a economia canavieira galgara pico de produção e o mercado exterior, favorecendo o embelezamento de conventos e igrejas da região. Boa parte dos sobrados existentes no centro histórico de São Cristóvão, sede da então Capitania de Sergipe d’El Rey, serviam para atividades administrativas e/ou veraneio dos ricos senhores de engenho da zona do Vaza Barris. Mas esse não era o caso do proprietário do sobrado localizado a praça São Francisco de São Cristóvão, o tenente Domingos Rodrigues Vieira de Melo, um militar.
A Emancipação Política de Sergipe da Bahia, em 1820, ocasionou a crescente necessidade de compra e disponibilidade de prédios para administração. Disso resultou a compra do sobrado ao militar no ano de 1823. Incorporado aos próprios nacionais o prédio foi reedificado e inaugurado em 12 de outubro de 1825, na gestão do Presidente (Governador) Manuel Clemente Cavalcante de Albuquerque, como parte das comemorações das Festas Nacionais em homenagem ao aniversário de Sua Majestade D. Pedro I e à Fundação do Império.
Com acentuada tendência liberal, Manuel Clemente governou durante 20 meses, impingindo medidas inovadoras e alheio aos embates políticos locais. Sua morte repentina, no dia 2 de novembro de 1826, consternou a todos. A suspeita é que foi intoxicado com produtos químicos usados na reforma do palácio. Como ele havia manifestado o desejo de ser enterrado “numa das igrejas da cidade”, foi inumado no chão do Convento São Francisco.
Em 1855, o Palácio do Governo foi avaliado, com certo exagero, em 50:000$000 (cinqüenta contos de réis), num momento em que os opositores a Mudança da Capital de São Cristóvão para Aracaju listava o prejuízo aos cofres públicos com o ato de Inácio Joaquim Barbosa, então Presidente da Província.
Em viagem pelo nordeste, o imperador D. Pedro II conheceu Sergipe entre os dias 4 e 19 de janeiro de 1860, na companhia da imperatriz Tereza Cristina. O monarca visitou a ex-capital nos dias 17 e 18, sendo homenageado no prédio que servia de Câmara Municipal de Vereadores. Nele armou-se capela e sala de despachos, teve beija-mão e dossel para o ilustre monarca.
O Estado comprou o imóvel que pertencia a Fazenda Federal por 2:000$000 (dois contos de réis), conforme escritura de compra e venda de 19 de março de 1918. Nas décadas de 1920 e 1930 funcionou como delegacia. Em janeiro de 1940, durante gestão do prefeito Antônio Silvio Bastos, o antigo Palácio Provincial foi reformado para instalação de escola. O Sindicato de Operários de São Cristóvão instalou nele a sede, com salão de jogos e de baile, por volta de 1952. Até que em 1960, no dia 5 de março foi inaugurado o Museu Histórico de Sergipe, no Governo de Luis Garcia.
O Museu Histórico de Sergipe está localizado na Praça São Francisco, candidata ao título de Patrimônio da Humanidade junto a UNESCO. Sua beleza arquitetônica e glorioso passado constitui um endosso ao pleito internacional.